Neste dia de despedida da
Paróquia e dos paroquianos, lembrei-me da despedida de Jesus no
chamado discurso da última ceia, quando dá seus últimos dons e
recados.
1. Não tenham medo de Cristo,
não tenham medo da doutrina católica. Quem ignora as verdades
sobre Deus e sobre o ser humano não conhece o mal que faz nem o
bem que perde. Somos tentados em viver materializados, sem
outros objetivos ou olhares que as coisas da terra. Muitos vivem
e crescem como se tivessem apenas um corpo a que agradar e não
tivessem alma.
2. Se eu não vivo conforme
acredito, acabo acreditando conforme vivo. É o que vemos em
tantos casos: querem que a doutrina da fé e da moral se ajuste
aos seus interesses. Há que lutar para viver conforme o
Evangelho. Deus espera esse nosso esforço em colaborar com a
graça divina.
3. O segredo da vida humana
consiste não apenas em viver, mas em encontrar um motivo para
viver. Deus nos ensina a valorizar a vida humana, a apreciá-la,
a levá-la a sério. Não devemos desperdiçar nossa vida, nem
abusar dela ou guardá-la para nós mesmos. Há uma missão. Somos
importantes para Deus. O sentido espiritual e sobrenatural da
vida, a orientação para o nosso destino eterno, deve presidir à
construção da nossa vida. Diz Jesus: “Que aproveita ganhar o
mundo inteiro se perde a alma?”
4. Consideremos o que de mais
bonito e grande da terra, o que agrada à inteligência, o que é
recreio da carne e dos sentidos. E o universo inteiro. E isso,
junto com todas as loucuras do coração satisfeitas. Nada vale, é
nada e menos que nada ao lado de Deus, tesouro infinito, pérola
preciosa, humilhado, feito escravo de amor, na gruta de Belém,
na oficina de José, na Paixão e na morte vergonhosas, e na
loucura de amor da Eucaristia.
5. Quantos esperam saúde, fama,
dinheiro ou amores humanos para se alegrarem. A verdadeira
alegria é o Senhor. O Senhor está sempre conosco. Ele está
conosco de noite. Ele está conosco de dia. Sejamos retos e puros
de coração e nele brotará uma fonte de alegria. Nossa alegria
não se fundamenta nem na saúde, nem no êxito, nem na confiança
em si mesmo. Nossa alegria não é do tipo balão inchado, que
arrebenta pela alfinetada de qualquer contradição. Quem crê
nunca está só.
6. Corações ao alto. Para cima
os corações, que devemos ter postos no Senhor. Há necessidade de
fé para entender os acontecimentos da vida. Para ver os fatos
com profundidade, e com altura, como Deus vê, aprender a
interpretar e julgar os acontecimentos à luz da eternidade.
7. Ele viveu nossa vida para
nós. Ao fazer-se homem, Deus abre uma conta espiritual comum,
com méritos de um lado e deméritos de outro, vida de um lado e
morte do outro, pecado de um lado e graça do outro. Ele tomou
sobre si os nossos pecados e debilidades e os apagou pela Cruz.
Ora, ninguém se sacrificou por nós como Deus. Ninguém, portanto,
nos pode amar como ele. Ninguém pode ter melhores intenções a
nosso respeito. São Francisco de Sales dizia: “se eu pudesse
escolher entre ser julgado por Deus e por minha mãe, escolheria
Deus”.
8. Ele nos deu seus próprios
méritos, sua própria vida, sua própria força. Ele nos deu sua
própria Mãe para que nos una a Ele. Pela Igreja se nos dá a si
mesmo nos sacramentos para que pudéssemos ter a força e os meios
para imitar seu exemplo e seguir suas indicações.
9. Vejam a Eucaristia: Em cada
hóstia consagrada Jesus vem e está presente somente para alguém,
o milagre da transubstanciação se realizou por uma só pessoa.
Assim, ao se consagrar 100 hóstias, não é um milagre, mas 100
milagres, um deles para mim, só para mim.
10. E na crise, lembremos dos
apóstolos, de quando muitos discípulos acharam duras as palavras
de Jesus, difíceis de aceitar, e voltaram atrás e não andavam
mais com ele. Jesus disse aos doze: “Vós também quereis ir
embora? Pedro respondeu: A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras
de vida eterna”.
Pe. Manoel Augusto
Santos dos Santos
Em homilia
proferida no Santuário, dia 03 de maio de 2009,
depois de trabalhar
por 16 anos como pároco. |